ANTÔNIO RUFINO NETO UM HOMEM ALÉM DO SEU TEMPO



Um dos maiores nomes da história política da cidade de Pedro Avelino, é sem sombra de duvidas o Senhor,  Antônio Rufino Neto , que nasceu em Jucurutu, Rio Grande do Norte, no ano de 1921, sendo filho de Francisco Rufino de Figueiredo e Belmira Maria de Medeiros,  viveu sua infância e adolescência entre Jucurutu e São Rafael. No inicio dos anos 40 migrou para Pedro Avelino, na época Epitácio Pessoa, onde estabeleceu-se sozinho, posteriormente vieram seus irmãos  e pais. Era uma pessoa muito família procurando estar sempre perto de todos, mas tinha uma identificação maior com seu irmão Chico Rufino e sua irmã Peixinha, como assim era chamada.   Aos 24 anos casou-se com Maria Aparecida Furtado, filha de Heráclito Furtado e Maria Inácia Furtado, com quem teve 11 filhos, criando 9 deles, os quais lhes deram 23 netos e  13 bisnetos.

Chegou a Pedro Avelino,  exercendo a função de sapateiro, e ao longo da vida foi diversificando suas atividades. Em 1949,  abriu um bar no quadro do mercado público. Sendo um carnavalesco nato, criou no seu estabelecimento os primeiros  bailes de carnaval de Pedro Avelino, sem imaginar que isso influenciaria  no futuro, a  cidade de Pedro Avelino, passaria a ter o melhor carnaval  da  região central do estado,  com a então construção do Country Club. Ele então passou a ser considerado o maior folião da sua época. Foi a época dos grandes carnavais de Pedro Avelino, onde o uso da lança perfume "Hodoro",  era permitido, e ele como amante incondicional da mesma se divertia ingenuamente  sem saber os perigos que  poderia causar a sua saúde.

Devido as dificuldades impostas pela vida teve que fechar o bar e foi tentar a vida em Natal, era então o ano de 1953. A mudança para a capital não obteve sucesso pois não adaptou-se a cidade grande regressou em menos de um ano, essa viagem marcou um pouco a sua vida pois na viagem de volta perdeu sua filha mais nova. Era o recomeço de uma nova vida , desta vez resolveu abrir uma padaria, que também não demorou muito, fechou, pois segundo ele, esse ramo de negócio não dava certo para quem tinha tantos filhos e agregados para sustentar. Logo em seguida retornou a atividade preferida, mais uma vez abriu um bar , só que desta vez resolveu inovar, agregando alguns gêneros alimentícios, que se fosse hoje , seria considerado uma loja de conveniência. Como o bar não estava mais dando certo, mudou de ramo mais uma vez. Sentindo a necessidade da população por mais um meio de transporte para Natal, já que na época o meio mais utilizado era o trem, resolveu comprar um Misto, espécie de transporte de carga e passageiros, onde ele fazia a linha Pedro Avelino /Natal,   e paralelo a isso decidiu negociar com tecidos, onde utilizava-se  do Misto para  vender  nas feiras da região (Córregos, Pendências, Afonso Bezerra).Também neste período abriu uma casa de jogos de bilhar onde a juventude se divertia aos finais de tarde e a noite.

 Veio a época áurea do algodão, ele então comprou sua primeira propriedade rural (fazenda São José) onde sua principal cultura era algodoeira. Além de plantar o algodão, ele também negociava com compra e venda da produção dos pequenos agricultores, tudo isto subsidiado pela algodoeira São Miguel.  Teve mais sucesso neste empreendimento e conseguiu comprar mais duas fazendas e ampliar as atividades agregando a pecuária. Nesta época também conseguiu realizar seu grande sonho, que foi construir sua casa com tudo que ele almejava para acolher bem sua família que era numerosa. É interessante ressaltar que essa construção foi motivo de trabalho e diversão para diversas crianças amigos dos seus filhos, pois a noite reuniam-se para quebrar pedras e ganhar um dinheirinho para comprar suas gulosemas .( o  que é lembrado por muitos.)

 Na década de 80, com a chegada da praga do bicudo no nosso estado e assim o fim da cultura do algodão, permaneceu apenas como pecuarista, plantava apenas o que servia para o sustento do gado. Vendeu duas fazendas e mais uma vez resolveu inovar colocando o primeiro supermercado da cidade onde ficou até se aposentar.

 Quanto a carreira política iniciou-se logo que município foi emancipado,  tendo sido eleito vereador já na primeira eleição em 1952 ,quando se elegeu pelo PST, com pouco mais de cem votos, porém um número muito alto para a época, foi eleito ainda por mais três mandatos. Na sua trajetória enquanto vereador dentre vários projetos, teve a doação de um terreno de sua propriedade para a construção da         
 Praça Santa Luzia, que hoje chama-se  Praça José Alves da Câmara. Foi vice- prefeito do então prefeito Manoel dos Passos Câmara  (Mulatinho), para este cargo ele obteve 1484 votos, quando assumiu a prefeitura por um breve período, marcando a sua administração com a aquisição junto ao governo do estado,  de um carro pipa permanente, para o abastecimento da população, que sofria sem ter água encanada. Outro marco importante da sua breve administração, foi a luta para a implantação do Ginásio Paulo VI , para suprir a necessidade dos jovens que precisavam estudar e não tinham condições de se deslocar para outros centros urbanos. Apesar de não ter tido acesso a educação, pois cursou até o 3º ano do ensino fundamental, era um grande defensor da educação.

 Deixou a carreira política, no início dos anos 70 , mas repassou o seu legado político para seu  primogênito Francisco Rômulo de Figueiredo, que até hoje continua mantendo essa missão.  Era uma pessoa sensata, com uma visão muito futurista. Conseguiu dar educação a seus filhos e agregados, ensinando também que o trabalho dignifica o homem. Alguns dos agregados que consegui ensinar a dirigir, sempre lhes foram gratos por terem uma profissão, e demonstravam isso sempre que o encontravam.

 Foi um pai enérgico,  porém cuidadoso,  responsável e cumpridor do seu dever. Foi um irmão amigo, um tio querido, um homem batalhador, de caráter, prestativo, que fez muitos amigos tanto em Pedro Avelino, como na região do Mato Grande. Apesar de carrancudo, tinha um humor apurado, as histórias contadas por ele , eram criadas através de observações de fatos reais, conhecidos por todos, que com sua dose de humor ficavam mais engraçados. Quem contava muito seus causos era João Flor (Fulorado).

Aos 72 anos foi acometido de uma doença que lhe tirou a razão , coisa que ele tanto preservava (  Alzhaimer ) . Após 13 anos de doença, em 2006, internou-se  no Hospital geral José Varela, na época seu filho Rômulo era o gestor municipal, e  teve daqueles que trabalhavam no local toda a assistência e zelo até o momento da sua partida.

Ele faleceu em 19 de Fevereiro de 2006,  e um fato curioso, mês do carnaval, deixando o seu principal  legado, que era ser um homem cumpridor de seu deveres, um verdadeiro cidadão.
Essa é a história de um homem que apesar de não ser filho de Pedro Avelino, adotou-a como terra natal e nela construiu a sua história.

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